quarta-feira, 22 de abril de 2015

Olá segue mais uma disciplina que requer a montagem de um blog e segue mais uma postagem...

Disciplina: História do Teatro II
Aluna: Edlene Verany Machado
Atividade: Comentário sobre a montagem A Gaivota
1º/2015
A Gaivota narra os conflitos de um jovem escritor, mediante uma sociedade pouco sensível a tais conflitos, até porque cada personagem vivencia seu próprio conflito existencial. O que mostra no texto um realismo fantástico e criam uma ligação direta com o espectador, ao mesmo tempo em que apresenta uma visão profunda de uma sociedade cada vez mais vulnerável aos males existenciais, nos aponta esta situação tão real, pois quem de nós não sofre por seus problemas particulares.  
A figura central da peça chama-se Treplev é um filho de uma atriz famosa, Arkadina. Treplev é um ser que sofre rejeições sequenciais, pois ao apresentar sua peça ao ciclo social de sua mãe fracassa perante a sociedade; sua família, em especial sua mãe, à qual ele quer conquistar a atenção e não consegue e perante sua amada Nina, além disso, ela se apaixona por Trigorin, famoso escritor namorado da mãe de Treplev.
Treplev um escritor romântico cheio de mudanças de humor e em permanente conflito interior, ele se sente ridicularizado pelo seu estilo de vida, não tem nada, sua mãe é uma sovina, o trabalho dele não lhe rende dinheiro nem reconhecimento, é acolhido por um tio doente e sem grandes condições financeiras, não tem seu amor reconhecido por Nina. Além de ter ideiais utópicos e as roupas simples.
O texto tem várias simbologias ao longo dele as principais giram em torno do simbolismo da gaivota, que hora significa a liberdade, quando morta trás o significado da honra que foi abatida, porém a ato do suicídio de Treplev é fascinante, ele é um rapaz frágil e desprotegido, ao longo de anos tenta aquietar seu coração e não consegue. E vê sua saída em uma trágica decisão: sua morte. Quando ele decide se suicidar, ouve-se um disparo vindo do jardim. Na casa, todos ouviram o disparo e pressentiram o que se passava. É então que Dorn diz: "aquilo foi um frasco de éter que rebentou".
Dorn faz isso em função dos sentimentos da mãe. A peça encerra-se ali, porém continua em nossas cabeças. Como será que cada um reage a tal fato, suas vidas mudarão, irão enxergar o nosso herói super romântico e sensível? A impressão que tenho é que a morte dele simplesmente foi um fato sem grande importância devido a forma que Dorn a relata, como se nada tivesse acontecido. Friamente sombrio.
A histórica montagem de A Gaivota redirecionou os caminhos do Teatro de Arte de Moscou e apontou novos caminhos para o teatro ocidental. A peça, em sua estréia em 1896, havia sido um grande fracasso, a ponto de Tchecov pensar até em desistir de escrever para o teatro. Em dezembro de 1897, agora sob a orientação de Stanislavski, A Gaivota recebe um novo olhar e garante um grande sucesso.
Tchekhov quis renovar a linguagem artística procurando introduzir o máximo de vida real em A Gaivota. Desta forma, Tchekhov mostrou o quão intenso pode ser o quotidiano. Podemos reconhecer nesta ideia evidentes pontos de contacto com o método de Stanislavski, pois Tchekhov trás o realismo no seu texto e Stanislavski quer uma realidade mais marcante na ação desempenhada por seus atores. Segundo o encenador, cada ator tinha de encontrar uma justificação para a ação desempenhada, mesmo que esta fosse a mais comum possível. Não se pode fazer uma ação no palco sem entender a sua essência.
As circunstâncias em que o espetáculo A gaivota foi montado é um capítulo à parte, pois o texto saia de um fracasso marcante e Tchékhov encontrava-se muito doente. O que fez o Teatro de Arte de Moscou tremer no dia da estréia. Tchéchov não agüentaria um novo fracasso. Neste caso a opção era vencer ou vencer. Por isso o método de Stanislavski foi tão fundamental para ampliar o realismo impresso no texto A Gaivota, e trazer a tona a interpretação de qualidade, mostrando que a realidade é um teatro que poderia trazer ao palco grandes histórias.

Referencia Bibliográfica:
Fórum Semana III, disciplina História do Teatro 2. Universidade de Brasília. Acesso em: 17 de abril de 2015.
A linha da intuição e do sentimento. Texto Semana II. Universidade de Brasília.
MAUCH, Michel e CAMARGO, Robson Correa de. O Método Stanislavsky: A Edição De A Contrução Da Personagem Em Português E Espanhol, Um Estudo Comparativo. Universidade de Brasília.
TCHÉKHOV, Anton. A gaivota. Casac e Naify, 2004.
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Gaivota>. Acesso em: 17 de abr de 2015.